Novembro 30, 2009
Gosto de arroz, de todas as formas e feitios : os arancini, os risotti, o arroz doce, o arroz Jollof africano, a paella, os mochi japoneses ….Em consequência, compro arroz em quantidade, daquele que vem embalado em grandes sacos decorados com desenhos e grafismos naifs que me encantam … Lembro-me de ver crianças em África a usar sacos de arroz, ou mesmo de pesticidas (!) em plástico colorido para levar os livros para a escola … A necessidade reinventa as coisas… Porque não, de facto, reutilizar estes sacos, reciclando-os em sacos para compras ?
Porque será que este saco de arroz paquistanês tem como logo um barco fenício ? Intrigante fantasia! Transformei-o num saco para trazer os livros da biblioteca. Como um Magritte : ceci n’est pas un sac à riz ………..

Novembro 26, 2009

Adoro bibliotecas. Por alguma razão é um dos primeiros sítios que “inspecciono” quando me instalo num novo país. Sofro de bulimia de livros e as bibliotecas permitem-me folhear e conhecer livros que talvez nunca chegue a comprar … ou então a espicaçar-me a vontade consumista de os possuir. Gosto de saborear a abundancia de livros nos corredores , de me sentar na confortável sala fora de moda , gosto de bisbilhotar o que estão a ler os outros, de ver a prateleira das sugestões do mês e do book club da 4a feira ao fim da tarde…
Voltamos a casa sempre com mais de um livro no saco. As vezes encontro as marcas dos leitores que me precederam nos livros, as datas que indicam o período em que guardaram o livro em casa, um bilhete de autocarro ou um post-it escrito esquecido entre as paginas. São segredos escondidos por detrás do segredo do livro em si.
Dizem que a leitura é um acto solitário mas, afinal, acho que não é tanto assim. E as bibliotecas estão ali para isso, para estimular as trocas e relações entre os leitores. E ou não é assim, Clara ?
Só com uma biblioteca nas proximidades, posso, caprichosamente, trazer livros para ler tão disparatadamente diferentes (!) como : ………Selected short stories – da canadiana Alice Munro ; The kingdom of a infinite space- a portrait of your head – escrito por Raymond Tellis ; Kaffe Fasset – Passionate patchwork-over 20 original designs ; e do fabuloso nova-iorquino Isaac Mizrahi, How to have style !!!!!!!!!!!!!!!!
Logo vos conto se me satisfizeram o apetite …………….
Novembro 24, 2009
São objectos relativamente inúteis, a menos que na proximidade da nossa pilha de papeis esteja uma potente ventoinha !!!
Mas, por vezes seguro-os na mão, envolvendo-me em sensações, recordações … O meu pisa-papéis preferido é uma pedra da calçada de Lisboa. E também um vidro “millefiori” de Murano.

Penso no filme “The safety of objects”: os objectos são tranquilizantes, estão ali quietos para nos agradar e não pedem nada em troca.
Novembro 22, 2009
Trouxe almofadas de sumauma na mudança. E agora ando a cobri-las de tecidos coloridos, espalhando-as pela casa como marcas pessoais.
Hoje apeteceu-me fazer de “professora on-line” e mostrar-vos como fazer facilmente uma capa de almofada :
1. Cortar 1 rectângulo com a medida do comprimento e da largura da almofada a cobrir, acrescentando 2,5 cm para as bainhas (por ex. a minha almofada : 70×30). Cortar um segundo rectângulo para a parte de trás, adicionado de 10cm de comprimento (ou seja : 80×30). Cortar este segundo rectângulo em duas partes iguais.
2.Fazer a bainha nos lados cortados de forma a que o acabamento da futura abertura da almofada fique perfeito !

3.Sobrepor estes dois rectângulos mais pequenos (que contituem a parte de trás da almofada com a abertura) contra o rectângulo da frente da almofada, direito contra direito. Coser todo o contorno.
4.Virar a almofada para o lado direito e encher pela abertura.

Et voilà ! Esta almofada foi para o meu lugar de leitura preferido ….

Novembro 21, 2009

Nao admira que haja tantas crafters norte-americanas ! Nos supermercados encontro tudo o que preciso para coser, para pintar, para moldar … E para não falar dos grandes supermercados para costura e patchwork tipo Fabricland, onde há de tudo, desde moldes , com a escolha dos tecidos feita e ate já cortados ! … qual e a graça, então ? pois, boa pergunta. Mas a América e assim mesmo…
Prefiro usar moldes em que posso ser eu a escolher os tecidos. Eu que adorava os tecidos da Amy Butler e afins, estou a ficar enjoada de os ver em quantidade. Por isso vou ao meu baú de tecidos africanos e é com eles que começo a fazer presentes de Natal ! O resultado é bem diferente do modelo (Simplicity), pois claro. Exclusivo !
E vou realizar todos os outros projectos ….


Novembro 19, 2009

Sair e encontrar muitas pessoas novas. Encontros imediatos e fragmentados. Tantos rostos e conversas. Copos com gelo, perfumes e vozes de perto. E depois, volto para casa e penduro o vestido. O perfume ainda se sente, mas já leve e distante.
Ah, como sinto falta de uma amiga ! daquelas com quem nem é preciso dizer nada para que ela entenda o que eu quero dizer … Mas, como também os meus filhos se apercebem ( porque também eles chegaram aqui há pouco )… é preciso muito tempo para encontrar um amigo .
E daqui mando uma mensagem à minha melhor amiga : “Promise you won’t forget me, because if I thought you would, I’d never leave” .
Encontrei esta frase numa página do livro que o meu filho lê neste momento – The complete tales and poems of Winnie the Pooh de A.A.Milne. E penso que este é um dos livros clássicos infantis que melhor explica o valor da amizade :
- “How lucky I am to have something that makes saying goodbye so hard” diz o Winnie the Pooh
- “Friendship is a very comforting thing to have” diz o Christopher Robin
-” You can’t stay in your corner of the Forest waiting for others to come to you.You have to go to them sometimes.” diz o Winnie the Pooh
Delicioso.
Novembro 19, 2009
Precisava de uma capa destas para a minha cama americana. Usei como modelo e medidas uma fronha de edredon da Ikea daqui (de tamanho king size, diferentes das europeias) para fazer esta, com retalhos de tecidos africanos. Escolhi aqueles com cores mais quentes e solares para me recordarem o meu querido Burkina nas noites de Inverno.

Novembro 14, 2009

Talvez não tenha sido uma boa ideia levar crianças a ver esta exposição… Aqui não há happy endings ! Ou serão mais chocantes certas imagens que passam na televisão ?
A princesa Jasmina do Aladino vai para a guerra armada de metralhadora, a Branca de Neve é uma espécie de mãe suburbana, sobrecarregada de anoezinhos-filhos e um marido-príncipe colado à televisão com a sua cerveja, a Bela (do Monstro) sujeita-se a uma operação plástica, a Rapunzel perde os seus longos cabelos devido à quimioterapia …
Gostei muito de conhecer o trabalho desta fotografa canadiana que, de uma forma tão irreverente e irónica, questiona a vida das mulheres de hoje ! O que conquistámos desde os tempos da “Carochinha” ?